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Breve Resenha Histórica
Na tentativa de apresentar algo o mais próximo da realidade possível procurando excluir as tão famosas teorias da raça que encontramos pela internet usamos como base conversas com Sr.Horacio Nores ( desde já o nosso agradecimento ) e cópias de livros obsequiadas pelo amigo e Criador Sr.José Luis Forlla entre os quais o livro reeditado pelo Abel Nores Martinez.
As lutas de cães, tanto como as rinhas de galo, se haviam constituído uma tradição em córdoba, cujas origens nos remetam à época colônia. Sem dúvida onde esses espetáculos viris e duros adquiriram a importância de esporte foi na Inglaterra a partir do século 13 disseminando-se por toda a Europa até os dias atuais..
Perro de Toro
No início do século, na cidade de Córdoba, embora não se tenha chegado a construir entidades semi-oficializadas, como os conhecidos “ reñideros” , onde apesar das leis proibitivas competiam presidentes, governadores, ministros e altos magistrados, havia no entanto um grupo seleto de admiradores da pelea de perros onde alguns nomes como Oscar Martinez, Don Pepe Pena, El Baron Funes, Dr.José Ignácio Bas, Dr.Enrique Martinez, Dr.Enrique Otero Caballero, Dr.Narciso Nores, Don Rogelio Martinez, etc. Usavam para combate animais obtidos dos cruzamentos de Bulldog com Bull-Terrier, elegendo os que saiam brancos e sem prognatismo, em outras palavras, onde havia uma predominância de Bull-Terrier. Esses animais uniam a força e o valor do Bulldog com a agilidade e musculatura de um Bull-Terrier, assim como maior olfato que um Bulldog e com a vantagem de não se asfixiarem ao fazerem presa por terem uma mandíbula maior e com boa convergência de arcadas dentárias. O resultado desses cruzamentos eram animais maiores que as raças originais chegando a pesar exemplares adultos com mais de 30 kg. Como conseqüência de tanta paixão e interesse nos jogos, todos buscavam obter os melhores cães, e, para esse fim recorriam aos mais diversos cruzamentos entre as raças caninas que existiam. Às vezes cruzavam novamente com o Bull-Terrier e outros com Boxer ou Dogue de Bordeaux seguindo critério de cada aficionado.
Essa fórmula, guardada a princípio com zeloso segredo, foi ficando pouco a pouco de conhecimento geral e logo foram os únicos cães que passaram a ganhar todas as rinhas.
Cada vez mais criadores adotaram essa fórmula, que repetindo através dos tempos por intermédio de cruzamentos entre si deram origem a uma formidável raça de luta de cor branca ou com pequenas manchas, olhos e nariz negros, crânios pesados, com focinho largo, lábios tirantes, tórax amplo e profundo, corpo curto e musculatura escultural que pelo esmero de criação e treinamento originou animais de excepcionais qualidades para a luta denominada como “Viejo Perro de Pelea Cordobes”.
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Viejo Perro de Pelea Cordobes |
Entre os exemplares que foram famosos pelo seu extraordinário valor que encerraram sua carreira sem perder uma única luta poderiamos citar o Chino , Johnson y Toy , de Oscar Martinez , el Roy de los Deheza , el Caradura de Don Rogelio Martinez , el italiano de Don Pepe Peña , el Taitú de los Villafañe e el Centauro del Mayor Baldasarre. Cujo valor legendário deram provas em inumeráveis combates presenciados por todos e que não se poderia apagar da memória. Esse exercício violento e metódico a que eram submetidos esses exemplares lhes davam um estado atlético excepcional e um estado físico quase perfeito para o combate.
Partindo dessa base, Antônio Nores se propôs a fixar uma raça que, conservando estas condições de valor, tenacidade e adaptabilidade, fossem de utilidade geral para a caça maior, guarda e destruição de predadores ( nesse caso javali, puma e zorro colorado ). Em suma um companheiro fiel para todas as horas.
Para se obter animais de maiores tamanho, sem perder o seu valor e dar ao mesmo tempo um instinto campero, foram feitos uma série de cruzamentos valendo-se de padreadores de sangue puro de Bulldog, Dogue Alemão, Mastim dos pirineus, Bull-Terrier e Boxer, conservando sempre como base e guia os Viejos Perros de Pelea Cordobês,
Um ponto importante refere-se ao Viejo Perro de Pelea Cordobês, essa raça hoje é extinta. Muito do novo trabalho na nova raça foi o de eliminar a agressividade que eles tinham entre os seus congêneres e desenvolver o instinto de caça. Um esforço que foi essencial para o sucesso do programa. Para evitar os problemas de consangüinidade foi desenvolvida três linhas de sangue: Família Araucana, Família Guarani e Família Comechingones.
Abaixo, mapa de cruzamento da Família Araucana .

Da família Araucana há registros como os de acima onde constam as introduções de mastim dos Pirineus ( também responsável pelos ergots que encontramos na raça as vezes ). Na família Guarani pela necessidade de elevar a altura a dar perfil olfativo introduziu-se o Dogue Alemão e Pointer. Esses cruzamentos originavam animais aguerridos e temperamentais, mas bem mais atenuado do que na família Araucana. Da família comechingones de onde vieram às fusões de Boxer e/ou Dogue de Bordeaux nesse caso filho de um exemplar puro da raça chamado Kaiser. Há dúvidas nesse caso e, aparentemente mais lógicas seria afirmar que eles tenham vindo de descendentes dos Boxeres de Carlos Paz distribuídos pela região incluindo Falda del Carmen local de residência de Kaiser elegido pelas suas poderosas mandíbulas e grande capacidade de luta para compor essa ramificação.
As manchas amareladas do seu uso foram um problema, mas com os retro cruzamentos com os “ Viejos Perros de Pelea Cordobês “ conseguiu-se manter o típico muscular esplendido com o acréscimo agora de poderosas mandíbulas.
Dessa forma resumidamente temos:
Viejo Perro de Pelea Cordobés , como base. Animal extraordinário para o combate, com valor e resistência tremenda para a luta, morriam lutando e não recuavam jamais, por carecerem de faro e velocidade e pela sua ferocidade para com os seus congêneres os tornavam inútil para a caça.
Ao Viejo Perro de Pelea Cordobés, que eram quase sempre brancos, foram-se acrescentando distintas correntes de sangue, para evitar a consanguinidade.
O Dogue Alemão foi inserido para dar peso e tamanho.
O Bulldogue Inglês e o Bullterrier na sua forma primitiva foram reintroduzidos para acrescentar o seu valor, intrepidez, resistência, insensibilidade a dor e tenacidade a luta, contribuindo também o Boxer para dar vivacidade e inteligência.
O Mastim dos Pirineos que foram importantes para dar tamanho, rusticidade, olfato, acentuando o seu manto branco, deu força e resistência e, em especial a adaptabilidade a todos os climas, típicas das raças de montanha.
O Pointer Inglês que foi importado da França foi o principal responsável pelo bom olfato que caracteriza a raça. O IrishWolfhound deu velocidade O Dogue de Bordeaux, embora não muito puros que existiam em Córdoba e que também eram usados para as lutas, foi introduzido assim mesmo, contribuindo com a sua forte mandíbula, sua potente cabeça e o seu grande valor para o combate,
Selecionando gerações após gerações reunindo os que possuíam as melhores qualidades somáticas e psíquicas que se queria fixar e eliminando fundamentalmente todo animal que não fosse capaz de sustentar uma luta de longa duração chegou-se ao fim por fixar definitivamente, graças às leis de biogenéticas, uma nova raça chamada Dogo Argentino.
“ El mas perro de todos los de presa y el más presa entre todos los perros de todos las razas” .
Atualidade
Hoje ainda por sorte caçadores na Argentina e nos países vizinhos, inclusive Brasil além de alguns na Europa, usam Dogos para a caça de Javalis. Essa é a melhor maneira de manter o seu espírito da Raça viva.
Uma das características mais marcantes na raça é a sua coragem...
Ela é tida por muitos como legendária.
É fácil entender o porquê.
As mais selvagens feras, quando vêem perigo de vida, frente a um inimigo superior em força e tamanho cedem terreno, abdicam da sua agressividade, fogem da luta e buscam salvação no meio da selva.
Todos os seres racionais e irracionais primam por esse instinto de conservação acima de todos os outros.
O Típico Dogo Argentino - e há mil provas disso – prima pelo instinto combativo ao da conservação, e consequentemente não nos surpreende quando o vemos gravemente lesionados, muitas vezes quase morrendo, sem ceder a luta com javalis muito vezes o seu tamanho.
Isso não quer dizer que o Dogo Argentino seja um cão feroz - o que significa ser agressivo sem discernimento -, mas sim um cão valente e muito equilibrado, o que é uma condição oposta à ferocidade.
Porque valente significa ser decidido para a luta, tenaz em combate, capaz de assimilar o castigo sem protestar, sem ceder um palmo na contenda, de lutar, se preciso for, a custa da sua própria vida apenas pelo prazer de cumprir o que o foi ordenado pelo seu dono.
Companheiro dedicado e obediente mostra-se totalmente submisso às ordens do proprietário e das pessoas com quem convive.
Sempre interessado em todas as atividades da família, é sensível e inteligente o bastante para reconhecer as pessoas que não fazem parte do círculo familiar, e ainda assim, permitir que elas possam integrar e participar da vida dos seus donos.


Acima: As filhas ( Clara e Isadora ) do nossos amigos Hercílio e Mônica Foresti com o Campeão Mundial Índio do Bravura del Ayar hoje com o Sr. Clécio Clitzke
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